quinta-feira, novembro 02, 2006

Metamorfose

Para a minha alma eu queria uma torre como esta,

assim alta,

assim de névoa acompanhando o rio.

Estou tão longe da margem que as pessoas passam

e as luzes se reflectem na água.

E, contudo, a margem não pertence ao rio

nem o rio está em mim como a torre estaria

se eu a soubesse ter...

uma luz desce o rio

gente passa e não sabe

que eu quero uma torre tão alta que as aves não passem

as nuvens não passem

tão alta tão alta

que a solidão possa tornar-se humana.

Jorge de Sena

4 Comments:

At 9:48 da manhã, Blogger pintoribeiro said...

Só mesmo sendo humana...bom dia Susana, bjinho.

 
At 12:17 da tarde, Blogger Pé de Salsa said...

Bom dia!

É um belo poema mas triste!...
Há que tentar mudar. A vida é só uma e é para ser vivida da melhor forma. E isso também depende muito de nós.

Beijo e um bom fim-de-semana.

 
At 2:59 da tarde, Blogger José Alberto Mostardinha said...

OLá Susana:

O Jorge de Sena devia estar com uma crise existêncial quando escreveu isto.
Um abraço,

 
At 4:53 da tarde, Blogger hfm said...

"que a solidão possa tornar-se humana." belíssimo!

 

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