sábado, outubro 28, 2006

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.

Fernando Pessoa

4 Comments:

At 12:17 da tarde, Blogger pintoribeiro said...

Pois, parece. Bom dia Susana, bjinho,

 
At 1:06 da tarde, Blogger Aluada said...

Adoro esse poema!
Adoro Fernando Pessoa! :)

 
At 12:55 da manhã, Blogger José Alberto Mostardinha said...

Olá Susana:

Costuma dizer-se que é nas coisas mais simples que encontramos a verdadeira beleza.
Pessoa tinha esse condão, tornar bela a mensagem... e duma forma simples.

Um abraço,

 
At 1:28 da tarde, Anonymous antónio veríssimo said...

Este é um poema que eu também adoro. Aliás, tenho-o publicado no meu blogue OLHÓ SOL em www.sol.sapo.pt/blogs/averissimo.

 

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