quarta-feira, dezembro 12, 2007

A falta de liberdade

Com a devida vénia ao Diário de Aveiro
Em pleno século XXI, trinta e três anos volvidos depois do 25 de Abril, da chamada «revolução dos cravos pela liberdade», encontramo-nos em Portugal menos livres do que nunca, mais dependentes do que nunca, necessitados de uma nova revolução, enquanto ainda é possível preservar a nossa verdadeira liberdade, enquanto nação e enquanto ainda nos resta identidade nacional.

Na passada semana, “Dom Duarte” afirmou que o «nosso prémio Nobel da literatura», José Saramago, «estava senil», depois de o termos ouvido defender que Portugal deveria passar a ser uma província de Espanha. Desta vez, sou obrigada a concordar com “Dom Duarte”, apesar de que, infelizmente, do «nosso prémio Nobel», para denegrir Portugal, já tudo é possível.

Há uns meses atrás, ouvimos da boca de um dos nossos «famosíssimos» ministros, que mais valia Portugal pertencer a Espanha. E hoje mesmo, tive de ouvir da boca de um dos presidentes de Câmara que mais admiro neste país, que «por este andar» mais valia sermos espanhóis. Esta última, foi demais para mim!

Nunca ouviram dizer que «de Espanha nem bom vento, nem bom casamento»? E afinal de que nos serviram tantos anos de história na luta pela independência nacional? Como é possível que o povo português se tenha tornado tão comodista e tão conformado, a pontos de ambicionar render-se a Espanha, em vez de «arregaçar as mangas» e lutar pelo que é seu, fazendo mais e melhor?

Em pouco mais de três décadas, Portugal passou de «oito para oitenta». A título de exemplo, a nível financeiro, constatamos que os portugueses que há trinta anos guardavam as suas poupanças «debaixo do colchão», hoje vêem os seus filhos endividados, pela compra da casa, endividados pela compra do carro, endividados pelas férias, pela compra da mobília ou até pela compra dos próprios sapatos. Hoje nasce-se endividado e morre-se endividado, e viver assim é viver sem liberdade.

A sociedade consumista pela qual vivemos «agarrados», apresenta um elevado preço de sobrevivência, e não querer admiti-lo é deixar-se levar pela «montagem do sistema». Tudo está feito para «usar e deitar fora», tudo gira cada vez mais em função do «ter» e cada vez menos em função do «ser». Hoje uma grande parte dos portugueses até pode comprar o «livro da moda», logo após a sua publicação, mas o que se torna grave, é que não dispõe de tempo, nem vontade para o ler, acantonando-o como mais um, ao pó nas prateleiras, para mero enfeite.

Assim vai Portugal e assim vão os portugueses, neste mundo globalizado, onde a nossa voz enquanto povo, vale cada vez menos. Dependentes dos vizinhos espanhóis, a quem mais compramos e a quem mais vendemos, do pouco que ainda vendemos; dependentes dos grandes grupos económicos e financeiros, em cada dia mais poderosos; subservientes a esta Europa dos interesses dos mais ricos; subjugados à conjuntura internacional cada vez mais frágil e estrangulada, pelos aumentos brutais do petróleo e do preço do dinheiro.

Apesar do «folclore político», que os nossos governantes se esforçam por imprimir nos meios de comunicação social, através do palco que temos cedido, para os recentes eventos internacionais como o famoso «Tratado de Lisboa» ou a recente «Cimeira UE/África», a verdade grita mais alto, e esta espelha todos os dias as falências das empresas, as penhoras aos particulares, o aumento do desemprego e o aumento brutal da criminalidade no nosso país.

Que nos interessa protestar contra as atitudes de “Vladimir Putin” ou contra as atitudes do “Mugabe”, face às suas oposições, se dentro da nossa casa, não somos capazes de «dar voz» à nossa própria oposição? E que oposição existe, quando cala e consente? Que liberdade pode existir no meio do cinismo e da hipocrisia?

A liberdade não passa por aqui. Não há lugar à liberdade, se vivemos «amarrados ao sistema». Não passa de uma ilusão, pretender gerir o mundo, se nem a nossa casa conseguimos conservar. Os nossos governantes e o povo têm de perceber que nenhuma nação pode ser livre na miséria económica e cultural. Antes de continuar a correr para onde quer que seja, é emergente começar a cultivar primeiro. Cultivar as famílias com princípios, cultivar a educação com valores, cultivar o trabalho e o empreendedorismo, voltar a cultivar a terra, voltar a «cultivar o mar», enfim, com a modernidade que os tempos exigem, mas com a verdade que nunca devemos esquecer, perceber definitivamente que «sem semear primeiro, nada se colhe», e aqui se constata o primeiro grande passo para a nossa libertação e para a nossa independência.
(publicado na edição do Diário de Aveiro de 13.12.07)

12 Comments:

At 10:49 da manhã, Blogger Nero said...

Assunto encerrado?
Fecham por falta de quorum?
Saudações.

 
At 4:19 da tarde, Anonymous Anónimo said...

um verdadeiro revolucionário nunca se reforma.

14/88

 
At 10:47 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Ouvi dizer que o PNd, está na iminência de ser extinto, porque não têm 5.000 militantes.

 
At 10:49 da tarde, Anonymous Anónimo said...

sim, está em risco e pelo que pareçe andam numa caça ao militante.
Mas é estranho ainda há pouco tempo expulsaram alguns a não admitiram outros tantos!!

 
At 11:21 da tarde, Anonymous Anónimo said...

meia dúzia de gatos pingados

 
At 12:23 da manhã, Anonymous Anónimo said...

grão a grão enche a galinha o papo

 
At 11:13 da manhã, Blogger Bernardo Kolbl said...

Bom fim de semana e um abraço.

 
At 9:47 da tarde, Blogger isabel mendes ferreira said...

por liberdade...doa a quem doer...é que aqui estou. sempre.




beijo enorme querida Su.

 
At 1:39 da tarde, Anonymous ex-militante do PND said...

O PND agora anda a pedir "batatinhas" á Susana Barbosa, primeiro queriam expulsá-la e ofenderam-na de tudo, agora estão feito santos.
Não vergas Susana Barbosa, que eles são uns falsos e hipócritas ,o PND está condenado á extinção.

 
At 11:00 da manhã, Blogger Bernardo Kolbl said...

Andas fugida ou passaste à clandestinidade? Eheheh...
Bom domingo e um abraço.

 
At 11:17 da tarde, Blogger martim de gouveia e sousa said...

retrato lúcido e assustador. bjo.

 
At 6:55 da tarde, Blogger Nilson Barcelli said...

Susana, um Feliz Natal e um óptimo 2008, para ti e para a tua família.
Beijinhos.

 

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