quinta-feira, outubro 18, 2007

Nas Ruas da Amargura em Portugal

Para assinalar o «Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza», dia 17 de Outubro, serão entregues neste dia ao Presidente da Assembleia da República, às 10h00, 20 mil assinaturas, de pessoas que subscreveram uma petição contra a pobreza, promovida pela Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP). A Comissão associa-se às iniciativas que neste dia, um pouco por toda a parte, procuram chamar a atenção da opinião pública e dos Governos para a pobreza no Mundo, «denunciando-a como uma situação intolerável, quando a Humanidade no seu todo, dispõe de recursos materiais e de conhecimento suficientes para pôr termo a este flagelo social».
Portugal, infelizmente não constitui boa excepção nesta matéria, e perante um estudo apresentado esta semana pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), os números são alarmantes e vergonhosos para o nosso país. Em Portugal o dinheiro «está cada vez mais nas mão de menos», cavando esta situação, o maior fosso existente entre ricos e pobres no conjunto de todos os países da União Europeia (UE), anotando ainda que esta tendência tem vindo a aumentar nos últimos anos.
O actual relatório do INE dá-nos conta que em Portugal já se constatam cerca de dois milhões de portugueses em risco de pobreza, e que as pessoas que estão mais perto do limiar da pobreza em Portugal são os idosos que vivem sozinhos, e as famílias constituídas por dois adultos com três ou mais filhos. Em contrapartida, os portugueses mais ricos do país correspondem, em regra, a famílias com apenas um filho ou a um casal sem crianças dependentes.
A classe média, tende pois, a desaparecer, e «os mais ricos ganham sete vezes mais que os mais pobres», encontrando-se Portugal entre os dez países mais pobres da União Europeia. Conclui-se no estudo que «um em cada cinco portugueses vive em situação de pobreza.
Que futuro nos espera, numa semana em que se soube ainda que a electricidade em Portugal irá aumentar em 2008 cerca de 2,9%, e que os aumentos da função pública se prevêem não irem muito além dos 2,1%? Para já nem falar do petróleo que continua a subir, atingindo novos níveis históricos, elevando-se ao preço de oitenta e sete dólares por barril.
Até onde conseguiremos chegar com a farsa do «politicamente correcto», apelando à esperança, e acreditando na confiança dos portugueses?
Se a política deste (des) governo continuar a insistir que pode esticar a corda, um destes dias a corda parte, não havendo lugar a emenda possível. Já não existem cortinas possíveis de esconder tanta pobreza, nem tanta desigualdade. Já não existem recursos capazes de suportar tantos impostos. Já não existem meios para suportar tantos desempregados.
Só existem duas soluções possíveis para tantas «inexistências», o governo tem de definitivamente fazer um corte radical às suas despesas, e convencer-se que o único caminho de repor alguma justiça, será a contrapartida da baixa de impostos transversais à nossa sociedade civil e económica. E esta acção tem de ser rápida. Enquanto há país, e enquanto por cá existem portugueses!
(publicado nas edições de ontem do Diário de Aveiro e do Democracia Liberal)

5 Comments:

At 9:20 da manhã, Blogger hora tardia said...

só uma palavra.



Brilhante!



beijo.

 
At 11:52 da manhã, Blogger PintoRibeiro said...

Bom fim de semana e um abraço.

 
At 9:44 da tarde, Anonymous Rui Pires da Silva said...

Muito bem Susana, como sempre 5*
Abraço

Rui Pires da Silva

 
At 3:29 da tarde, Blogger Nacional Cristão said...

Temos 2 milhões de pobres mas somos dos melhores a integrar imigrantes. Há qualquer coisa que não bate certo. Precisam-se de politicas e políticos que defendam mais e melhor os portugueses.

Cumprimentos.

 
At 8:52 da manhã, Anonymous Ex-Bloquista said...

Já fui militante do BE e sai porque o bloco transformou-se num oartido de sistema.
Defendo o fim da propriedade privada, a proletarização dos circulos de poder como forma de erradicação da pobreza.
Acha que posso aderir ao seu partido?
Eu não conheço, mas parece um partido fora do sistem disposto a receber pessoas de todos os quadrantes politicos: da extrema direita e extrema esquerda.
Concordo. Afinal tem que haver lugar para todos. Porque não aí? Agradecia mais informações.
Agradeço, desde já.

 

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