quinta-feira, outubro 04, 2007

Menos Economia, menos Portugal

Portugal rende-se a Espanha. No dia em que o primeiro-ministro José Sócrates, afirma na sessão de abertura da conferência «Lisbon Energy Fórum 2007», que Portugal tem consciência do problema da sua dependência face ao petróleo, os portugueses afirmam sem complexos, numa reportagem efectuada pela SIC Notícias, que vão a Espanha abastecer combustíveis, enquanto o nosso fantástico ministro da economia, Manuel Pinho, continua, como sempre, a desvalorizar e a menosprezar declarações, constatações e averiguações.
O país, esse vai perdendo peso político, económico e social. Não querer despertar para esta realidade, só mesmo ainda, os «malabaristas da política», os «oportunistas de ocasião», ou todos os que infelizmente, já entraram há muito em «depressão profunda».
O petróleo continua a atingir máximos históricos, ultrapassando os oitenta dólares por barril, e o nosso governo, como se tal facto não constituísse por si só um grave problema, pratica uma tributação elevadíssima nos combustíveis, fazendo com que cada vez maior número de portugueses, se desloque a Espanha abastecer gasolina a menos vinte e cinco cêntimos o litro, gasóleo a menos onze cêntimos o litro, aproveitando para trazer ainda botijas de gás, mais baratas cerca de trinta por cento em Espanha do que em Portugal.
O valor das nossas importações de Espanha continua a aumentar, e o valor das nossas exportações para Espanha continua a descer. Aos empresários portugueses, é cada vez mais favorável abrir filiais em Espanha ou mesmo as sedes das suas empresas, dada a carga fiscal ser muito mais leve, para além do menor valor dos combustíveis, para já nem falar do preço dos próprios automóveis, que podem livremente adquirir no país vizinho, a menos vinte, trinta e mesmo em alguns casos, quarenta por cento, do preço dos mesmos automóveis no nosso país.
Na afectação do custo de vida dos portugueses, está sempre a mesma causa, a «elevada tributação de Portugal», penalizando consumidores e investidores. De «braço dado», com esta «atitude política», claro está que se situam os níveis de desemprego que todos os dias aumentam, fazendo diminuir os «rankings» de Portugal nos índices de produtividade, rentabilidade, emprego e qualidade de vida, ao mais baixo nível.
Porque insiste o governo em dizer que tudo se afigura «cor-de-rosa», todos entendemos, pois aos seus membros não faltam salários, nem «honrarias e mordomias». Porque não se revoltam os portugueses que vão emigrando silenciosamente, também entendemos, pois é com «vergonha e dor» que abandonam os seus lares endividados, e as suas empresas falidas.
Mas nós, os resistentes deste país, que ainda por cá continuamos, não podemos, nem devemos calar as nossas vozes. É sim chegada a hora da nos unirmos, em nome da urgente «mudança de atitude» dos políticos e das políticas. É hora de reclamarmos o que nos pertence por direito e que este «estado gastador» nos esgota das famílias e das empresas, para o seu sustento «exuberante e supérfluo». É hora de perceber que a economia mundial vai mal, é verdade, mas que em Portugal a economia simplesmente «não vai», retrocede todos dias.
(publicado na edição de hoje do Diário de Aveiro e no Democracia Liberal)

3 Comments:

At 10:27 da tarde, Blogger migas (miguel araújo) said...

Cara Susana
No seguimento da interpelaão da bancada centrista ao governo, no sentido de ser ouvido no parlamento o Ministro da Economia, este governo entende que "custo de vida" e "poder de compra" (ou a sua falta, não é economia.
Portanto, a maioria dos cidadãos deste país, na óptica do que escreveu (e bem) comparado com a posição do governo, não são portugueses.
Cumprimentos

 
At 10:21 da manhã, Blogger sonia r. said...

É giro, também me lembrei da Economia.
Bom fim de semana Susana. Bjinhos.

 
At 5:07 da tarde, Blogger PintoRibeiro said...

Vim ver os amigos.
Bjinho.
( Tenho estado outra vez out ).

 

Enviar um comentário

<< Home