quarta-feira, junho 20, 2007

Patriotismo Recalcado

Antes do 25 de Abril era um dever ser patriota. Por amor, por obrigação, ou mesmo sem saber porquê, os portugueses eram patriotas. Hoje, passou-se de “oito para oitenta” não há estímulo ao patriotismo. Portugal, um país que ao longo da sua história tanto lutou para ser independente, hoje assiste diariamente a um “piscar de olhos” dos próprios governantes à vizinha Espanha, acima de tudo e mais por um cobarde conformismo do que pela defesa dos interesses nacionais.
É assim com o acordo do próprio traçado para o TGV, com a cedência contínua das quotas pesqueiras, com a cedência das recentes quotas leiteiras e com a agricultura em geral, com a venda de acções das melhores empresas nacionais aos espanhóis, com a permissividade da entrega da banca e dos seguros às empresas espanholas, com o acréscimo desenfreado das importações provenientes de Espanha. São cada vez mais assim, as relações de Portugal com a Europa e com o resto do mundo. Deixamo-nos simplesmente invadir, sem oferecer resistência, por conveniência e comodismo. Com displicência produzimos cada vez menos e queremos comprar tudo feito, até quando será esta atitude possível?
O que é preocupante é que já lá vão muitas décadas e mesmo muitos séculos com esta atitude e talvez isso mesmo seja a explicação para esta apatia nacional doentia, face a tudo o que vai mal. Ontem mesmo recebi um reconhecido texto de um amigo, em que Eça de Queiroz já afirmava em 1867 sobre Portugal «… País governado ao acaso, governado por vaidades e por interesses, por especulação e corrupção, por privilégio e influência de camarilha, será possível conservar a sua independência?»
Se Portugal até aos dias de hoje assim continua, não estará aí a explicação para o mau estado e Estado em que se encontra? É urgente mudar de ATITUDE!
É urgente criar auto-confiança nos portugueses e para tal são necessários motivos de orgulho na sua Pátria. Não existirão hoje portugueses valorosos? - Sem dúvida que existem. O que não existe é ambiente nacional para tirar partido das nossas valias e assim todos os dias o país se desertifica de valores. Encontramos os nossos reconhecidos cientistas a dar continuidade aos seus estudos ou às suas experiências científicas no estrangeiro, vemos os nossos recém-licenciados a emigrarem, assistimos ao desinvestimento no nosso país dos nossos melhores empresários. Num rápido “passar de olhos” pelo panorama nacional, rapidamente constatamos à vista desarmada que tudo vai mal.
Ficará no ar a eterna questão: “Mas que fazer para mudar?”
Aqui resumo em cinco pontos, muito do que se pode fazer para mudar, sem dispêndio financeiro, nem estudo de grandes alterações políticas, mas tão só de mudança de ATITUDES:
1. Em primeiro lugar é urgente começar por dar mérito e reconhecimento ao que ainda há de bom em Portugal e a tudo o que é bem feito pelos portugueses, e esta atitude é sem dúvida fundamental e um bom princípio de mudança. “Acção pela positiva” ajuda a crescer e a criar estímulos ao bom desenvolvimento.
2. Em segundo lugar é urgente penalizar e fiscalizar efectivamente “o erro” em Portugal e educar na base da contrapartida “Sê responsável e culto para seres livre”.
3. Em terceiro lugar, menosprezar a inveja e a mesquinhez latentes no actual espírito nacional e encorajar dando confiança a quem trabalha com perfeccionismo e luta pela excelência.
4. Em quarto lugar, exaltar os valores da Família e das nossas raízes naturais, para elevar a auto-estima e criar as bases perdidas pelos portugueses para respeitar e serem respeitados.
5. Em quinto lugar, estimular o espírito de equipa e da verdadeira solidariedade em detrimento do “cada um por si” que é o que mais encontramos na sociedade portuguesa (hoje mesmo Luiz Felipe Scolari afirmou «mesmo sendo muito bom, se não trabalha para a equipa, o jogador não vai vencer».
São apenas cinco pontos, simples e baratos, mas nos quais vale a pena cada um de nós tentar “investir”! Poderemos iniciar hoje mesmo um novo ciclo de mudança e essa mudança pode consistir tão só na alteração da forma de estar conformista e oportunista dos portugueses que têm construído um país tão frágil e dependente. Há que mudar de ATITUDE para sermos verdadeiros PATRIOTAS, e não continuarmos a viver num eterno “patriotismo recalcado”!
(publicado nas edições de hoje do Diário de Aveiro e do Democracia Liberal)

9 Comments:

At 7:26 da tarde, Anonymous Anónimo said...

eu"compro"....

os cinco.



______________



brilhante SU.



:


beijos!!!!!!!!!!!!!!





(piano)

 
At 10:45 da manhã, Blogger achama / Sonia R. said...

Subscrevo. Bom dia Susana. Bjinho.

 
At 10:54 da manhã, Blogger Bernardo Kolbl said...

Em cheio Susana. Sem recalcamentos, a voltar, bom dia e um abraço.

 
At 12:55 da tarde, Blogger martim de gouveia e sousa said...

tudo... na mão. bjo.

 
At 8:48 da manhã, Blogger isabel mendes ferreira said...

bom dia "patriota" de sempre!



beijooooooooooooooooo.

 
At 10:48 da manhã, Blogger Bernardo Kolbl said...

Bom fim de semana e um abraço.

 
At 11:40 da manhã, Blogger Pedro Javier Mazzoni said...

Bom dia,
gostaria de dar uma visão diferente da sua a algumas questões. Em primeiro lugar, Portugal está hoje em dia numa situação muito priveligiada em termos internacionais, além de uma excelente localização para ser um parceiro priveligiado nas relações com a América do Sul e parte de África, tem uma estabilidade que nunca existiu em Portugal, pertencendo à zona Euro, quem vier investir em Portugal não verá o seu investimento afundado por políticas monetárias ruinosas de desvalorização de moeda (já lá vão os tempos de nivelar por baixo a nossa competitividade, o que de resto só afastava empresas com grande valor acrescentado de Portugal). Em segundo lugar, o investimento estrangeiro (seja espanhol, inglês, alemão, ou chinês) permite que haja mais capital para investir noutros projectos, se os empresários que vendem participações a espanhois não o fazem é problema deles. Em terceiro lugar, a continuação de estudos em muitas áreas é benéfico que ocorra no estrangeiro porque desse modo, adquire-se conhecimentos novos que ainda não existiam por cá, é necessário é dar condições para voltares (e não é com bolsas de mil euros por mês a termo certo que se faz isso).

 
At 3:54 da tarde, Anonymous Anónimo said...

O investimento estrangeiro é bem vindo desde que seja produtivo.O estado deve garantir ao investidor nacional os mesmos nivel de subsidios que dá a estrangeiros.

 
At 3:55 da tarde, Anonymous Anónimo said...

niveis

 

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