quinta-feira, janeiro 04, 2007

Ano Novo, Dívidas Antigas?

Aveiro entrou no Ano Novo sem luz, sem alegria, sem projectos, sem dinheiro e pior que tudo sem esperança.

Volvido um ano sob a governação de Élio Maia, um independente totalmente dependente da coligação que representa, Aveiro viu a sua dívida aumentada em cerca de 100 milhões de euros sem saber porquê. A dívida da autarquia acumulada pelo anterior executivo socialista em cerca de 150 milhões de euros, foi situada no final do ano de 2006 pelo próprio Presidente da Câmara Élio Maia, em cerca de 250 milhões de euros, na última Assembleia Municipal do passado dia 27 de Dezembro, quando se referia à situação financeira do município.

Ora se as obras no “velhinho Mário Duarte” nem se vislumbram ao fundo do túnel…, ora se a “vergonha” do viaduto que deveria fazer a ligação de Esgueira a Mataduços lá continua…, ora se os buracos nas estradas são cada vez mais… alguém pode explicar aos aveirenses como é que a dívida municipal pode aumentar apenas num ano, em 100 milhões de euros?

Ou será de crer que se continue a atribuir as culpas de tudo o que vai mal aos erros do passado? E se assim for, porque não são chamados os culpados a depor? Porque não se levantam as vozes contra o que deva ser julgado publicamente? É que pelo menos no anterior executivo, constatou-se a dívida, mas também a obra feita, agora um aumento brutal da dívida sem que os aveirenses identifiquem os seus gastos, só poderá por enquanto tal não seja esclarecido, determinar-se por má gestão ou esbanjamento.

Os aveirenses que tanto orgulho demonstram pela sua cidade, não têm motivos para se orgulharem por quem a governa. Aveiro, belíssima por natureza, com tantas potencialidades para o turismo em todas as épocas do ano, vê desperdiçados os seus encantos. Na passagem de mais um ano, Aveiro foi uma cidade cada vez mais apagada, sem iluminação, nem festas na rua. O cais da Fonte Nova lá permaneceu vazio, sem vida, sem o fogo que outrora atraiu milhares de visitantes que prometiam multiplicar-se pelos anos vindouros.

Na Avenida Dr. Lourenço Peixinho, escura e fria a caminho da Nova Estação, infelizmente só as “permitidas lojas chinesas” animaram o ambiente, abertas dia e noite, nos locais que foram antes privilégio do comércio tradicional, mas agora sem regras, nem mesmo respeito pelo feriado de Natal ou de Ano Novo! De resto, tudo apagado e muitas lojas em saldos antecipados e outras tantas forradas a papéis velhos para trespasse.

Aveiro continua linda, mas envergonhada, endividada e sem projectos para o futuro. Srs. Autarcas, façam favor de ser criativos enquanto é tempo, mãos à obra e demonstrem que por Aveiro vale a pena. Mas por favor, antes de continuarem, falem com verdade aos aveirenses e corrijam o que vai mal, como sabem Aveiro merece melhor!
(Publicado no Democracia Liberal e no Diário de Aveiro)

4 Comments:

At 12:44 da manhã, Blogger martim said...

importante admonição. haverá ouvidos? bjo.

 
At 11:01 da manhã, Blogger osangue said...

Aveiro, o país, nós. Gostei muito de passar aqui, Susana. Bom dia e um beijinho.

 
At 3:25 da tarde, Blogger hfm said...

Será que os autarcas ouvirão? Todos. Bem precisávamos disso.

 
At 2:40 da manhã, Blogger Terra & Sal said...

Olá Susaninha:
Se me permite e com os meus cumprimentos venho fazer o meu primeiro comentário do ano, no seu estimado “Arestália”

Interessante este seu artigo, como todos ou a maioria dos que aqui nos apresenta.
Efectivamente foram de tolerar e até admissíveis as queixas da Coligação quando tomou conta dos destinos de Aveiro, servindo-se como escudo nos seus primeiros tempos, das dívidas que foram algumas, deixadas pelos Socialistas.

Esse comportamento considero uma reacção normal, é mesmo natural, direi mesmo “tradicional”...
Qualquer Câmara nos seus primeiros meses vive à sombra destes “artifícios”
Depois, passado que seja no máximo meio ano tem de mostrar que tem “personalidade”e ser capaz de ser autónoma e começar a caminhar pelo seu próprio pé.
É que, quando uma equipa seja ela qual for, parte para umas eleições, tem antes de mais de ter ideias preconcebidas, das necessidades do município...

Isso é geralmente divulgado através do seu programa eleitoral, que é um compromisso de honra que é feito entre os candidatos e a população, entre eleitos, e eleitores.
Depois, tem de trabalhar nesse sentido, mostrar que está a seguir o delineado...
Poderá ou não cumprir tudo integralmente, mas tem de ter justificações válidas se de tanto não for capaz...
Quando isso não acontece, é o descrédito total.

O comportamento da Coligação com os Aveirenses tem sido de costas voltadas aos seus verdadeiros problemas e anseios.
É uma desilusão completa.

O seu líder, não pode ser apenas um bom homem, não pode nem deve ser escuteiro, tem antes de ser um soldado sempre em luta contra as vicissitudes que se lhe atravessam no caminho, sejam quais forem e venham de onde vierem.
Tem de ser um comandante e saber as batalhas que quer ganhar...

Uma equipa de trabalho pode e deve ser uma equipa de amigos, mas tem de se saber quem manda, tudo tem de passar pelo líder, pelo chefe.
E o líder tem de se assumir e ser reconhecido como tal.

Tem de saber como diz, e o que diz, e nunca pode ser contestado e muito menos desautorizado, se não, deixa de ser uma equipa, para se tornar num bando.

Mas para isso é preciso ter-se sabido escolher uma equipa antes de se entrar na "guerra".
Escolher os "soldados" um a um.
E tudo indica que a Coligação foi feita como um casamento arranjado, e assim não funciona nem nunca funcionará, podem correr e saltar...

Nestas coisas não podem uns remar para a serra e outros para o mar, tem de haver harmonia, têm de se conhecer bem uns aos outros, as qualidades e até mesmo os defeitos.
E acima de tudo é preciso serem trabalhadores.
Nestas coisas é preciso inspiração e trabalho, principalmente trabalho que é coisa que não se vê.

As coisas fazem-se com 95% de trabalho e 5% de inspiração, e parece-me bem que de uma estão vazios e da outra nem sequer sabem o que isso é.

Na Coligação fazem um esforço tremendo para se aguentarem uns aos outros...
Tentam dar sinais para o exterior de que tudo está bem entre eles e tentam tapar o sol com uma peneira.

O PSD, na gíria, os Comuns, acham-se os Senhores da Câmara, e assentaram arraiais na “fábrica”...

O CDS, os Lordes, mais distintos, quais cavalheiros de linhagem, poisaram nos Paços do Concelho, e ninguém os arranca de lá.

Quando se trata de criar uma simples Comissão na Assembleia Municipal para analisar e trabalhar nisto ou naquilo, vem logo à superfície a falta de solidariedade que há, entre a “fábrica” e o “palacete”

Alguns deputados municipais afectos aos Lordes, contorcem-se todos para aguentarem o “espezinhamento” feito a olhos vistos, pelos afectos aos da “fábrica.

Outros, ou outro, mais sensível e bom nas suas funções, mas que não está para os aturar bate com a porta, e vai-se embora para sempre.

O seu post, benevolente naquilo que diz, aponta apenas parte dos defeitos,da Coligação.
Eles são muitos e variados...

Olhe caladinhos andam os que estão nas Empresas Municipais, a veranear.
Nem se sabem se estão cá de férias ou no estrangeiro.
Andam para acabar com elas desde a semana em que tomaram posse, até hoje ainda não assinaram o “despacho”

Como é que podem tomar outras resoluções, se não são capazes de tomar esta, comprovadamente lesiva dos interesses dos Aveirenses?
Esta Coligação anda sem rumo, porque não sabe gerir efectivamente.

Aveiro é uma cidade e um concelho abandonada à sua sorte e vai sofrer golpes tão rudes e violentos na sua medula que não sei se algum dia os curará.

Fui longo, mas quis vir aqui ao seu Blog, conversar este bocadinho consigo.
Um beijinho Susana.
Tenha um bom ano em tudo, com muita saúde, e alegrias.

 

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