quarta-feira, dezembro 20, 2006

O Gosto pela Simplicidade

Cansado às vezes do artificialismo que domina hoje em todos os géneros, enfadado com os chistes, os lances espirituosos, com as troças e com todo esse espírito que se quer colocar nas menores coisas, digo comigo mesmo: se eu pudesse encontrar um homem que não fosse espirituoso, com quem não fosse preciso sê-lo, um homem ingénuo e modesto, que falasse somente para se fazer entender e para exprimir os sentimentos do seu coração, um homem que só tivesse a razão e um pouco de naturalidade: com que ardor eu correria para descansar na sua conversa ao invés do jargão e dos epigramas do resto dos homens! Como é que acontece perder-se o gosto pela simplicidade a ponto de não mais se perceber que ele foi perdido? Não há virtudes nem prazeres que dela não retirem encantos e as suas graças mais tocantes. Existe alguma coisa de grande ou de amável quando dela a gente se afasta? Do momento que ela não é reconhecida, não é falsa a grandeza, o espírito desprezível, a razão enganadora e todos os defeitos mais hediondos?
Luc de Clapiers Vauvenargues, in 'Das Leis do Espírito'
Escritor, França [1715-1747]

3 Comments:

At 8:23 da manhã, Blogger Mendes Ferreira said...

e navegando pela ondas azuis que vais deixando no meu espaço azulado aqui cheguei. para o sempre regresso.


simples.


como o que é verdadeiro.


bom dia Su.


:))))))))beijo.

 
At 9:06 da manhã, Blogger pintoribeiro said...

Lúcido, como sempre. E atento. Bom dia Susana, bjinho.

 
At 9:48 da manhã, Blogger João Moutinho said...

Quem sabe torna simples o que é complicado.
Quem sabe faz quem não sabe manda fazer.

 

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