terça-feira, maio 02, 2006

Inclusão social versus exclusão económica

De que adianta plena harmonia entre presidente da república e governo, se ambos resolvem viver para o comodismo mediático e o deslumbramento, parecendo querer resolver questões, sem antes apresentarem caminhos para a resolução de problemas?
Por acaso alguém sabe por onde anda o Ministro da Economia?

Não é errado presidente e governo pensarem na inclusão social, que é sem dúvida uma questão que deve preocupar todos os portugueses. Errado é querer consolar o país com a ideia de que se preocupam com as pessoas fazendo visitas de solidariedade, sem demonstrarem coragem para em simultâneo apontar soluções e aprofundarem as razões para a existência de tantos problemas.

Constatar que devemos lutar contra a pobreza, que existe cada vez mais desemprego em Portugal, que aumenta a criminalidade e a prostituição e que por consequência os problemas sociais têm vindo a agravar-se, já todos constatamos! O que o país necessita não é de visitas de cortesia mas de medidas verdadeiramente profundas que em primeiro lugar consigam estimular a mudança para sair do caos a que já chegámos.

Os portugueses tiveram conhecimento na passada semana, dos relatórios da OCDE e do FMI, que vieram comprovar que Portugal continua a afastar-se da média dos países da União Europeia em termos de produtividade económica e de nível/qualidade de vida. Mais uma constatação que afinal nada tem de surpreendente, uma vez que nesta matéria todos sentimos o que é obvio “à flor da pele”! Mas afinal como quererá o país sair da terrível crise em que se encontra, se não pensar que em primeiro lugar terá que criar produtividade, inverter o círculo vicioso do insucesso e voltar a ter rentabilidade no que faz? Não sentimos todos uma grave “exclusão económica” em Portugal?

Em que medida o país poderá ajudar os excluídos sociais, se em primeiro lugar não criar emprego e riqueza para distribuir? Quem na vida pode distribuir o que não tem?

Vai sendo tempo de deixar de viver para ilusões. Quem nos governa deve saber que não há espaço nem paciência para mais utopias. Os portugueses esperam acção e não é no comodismo do estado que ela se encontra e muito menos no aumento de impostos para sustentar tantas mordomias!

(publicado nas edições de hoje do Diário de Aveiro e do Democracia Liberal)

9 Comments:

At 8:27 da manhã, Blogger Mendes Ferreira said...

brilhante....espero que os teus leitores mais directos "acordem"...

estou contigo.


beijo Susana..

 
At 10:54 da manhã, Blogger Elise said...

"Em que medida o país poderá ajudar os excluídos sociais, se em primeiro lugar não criar emprego e riqueza para distribuir?"

exactamente!

 
At 12:16 da manhã, Blogger oalcoviteiro said...

No alvo. Boa noite Susana, bjinhoss.

 
At 12:50 da tarde, Blogger Terra & Sal said...

Olá Susana:
Deixe-me resumir, mesmo atabalhoadamente o que penso.
Podemos ter vários conceitos do modo em que se faz a exclusão social.
Do mesmo modo podemos ver a maneira da sua inclusão.

Para mim o mal da Europa, e dos conceitos em voga, é o avançar acima de tudo com a prioridade de criar riqueza cada vez mais, à custa dos maiores penalizações e sacrifícios de quem trabalha.
E depois, essa “criação” de riqueza em que patamar acaba e acabará mesmo?
Criar riqueza para depois a distribuir, mas distribuir por quem?
A parte social, não merece acompanhar cada degrau ou patamar da riqueza criada?

Gosto de citar os Bancos, são porventura os exemplos mais flagrantes da “criação” de riqueza.
Todos os anos, apresentam lucros milionários.
Os seus trabalhadores são porventura uns dos mais explorados.
Onde está a distribuição “da riqueza que criam”.
Ainda não têm o suficiente para a sua redistribuição?
Que impostos pagam?
Que lucros distribuem pelos seus empregados ou mesmo que ordenados lhes pagam?
Efectivamente distribuem a riqueza criada, mas pelos seus administradores…

Este é um, dos muitos modos de exclusão social.
A procura incansável do lucro, da riqueza, do materialismo pura e simplesmente, relegando para um lugar que não existe o interesse social.
Não havendo equilíbrio nesta dualidade de interesses opostos, não sendo ombreado para que os pratos da balança se mantenham em equilíbrio, vai haver sempre e cada vez mais exclusão.

Acredito que as medidas do senhor Primeiro-ministro “andam” à procura desse equilíbrio.
Mas é, e vai continuar a ser, uma luta titânica para conseguir atingir os seus objectivos, já que, os interesses materialistas instalados e solidificados na nossa sociedade, como noutra qualquer, são uma “chantagem” constante e permanente em qualquer governação.
Cumprimentos.
Terra & Sal

 
At 4:41 da tarde, Anonymous mmb said...

Pois... idéias gigantes com pequeninos pés de barro!
Abram os olhos, alicercem as estruturas ou arranjem um milagre da multiplicação dos peixes antes que afundemos!


Bjts

 
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