terça-feira, junho 14, 2005

Álvaro Cunhal


«As horas de dor tornam mais funda a amizade entre os homens. O sofrimento comum aproxima e faz pensar numa solução comum. Assim nasce o amor por seres desconhecidos. Qualquer coisa de semelhante ao respeito que uma mãe sente pela angústia de uma outra mãe. Uma mesma aspiração junta homens que se desconhecem. Uma palavra ou um olhar que indique essa identtidade de anseios traz aos lábios esta expressão carinhosa: "eu sou teu irmão!, eu sou teu companheiro."
Muitas vezes é essa a maior afeição de uma vida. Ante ela, as outras empalidecem ou apagam-se.»

(artigo publicado em Álvaro Cunhal, Uma Biografia Política, de José Pacheco Pereira)